domingo, 22 de junho de 2008

“OBRIGADO GOOGLE!”


O que é o Google? Uma ferramenta de pesquisa para Internet. Muito útil, mas que, se incorretamente utilizada pode ser um caos para a educação moderna. A quantidade de estudantes e pesquisadores que se utiliza desta e de outras ferramentas disponíveis é quase que incalculável.

Ouvi de um pregador, num auditório onde haviam várias igrejas representadas, a história de um seminarista que na formatura levantou uma faixa com os dizeres em epígrafe. Erro do seminarista. Erro do orador, que contou o causo em tom de chacota. Vivemos a era da superficialidade. Do enaltecimento do erro e do desvio; da busca das coisas fáceis e da apropriação das idéias alheias sem dar os devidos créditos.

Os tempos modernos engendram uma cultura da farsa, da máscara. Estudantes que acessem a Internet com o intento de sugar o já feito, apropriar-se do suor do outro, daquele que já pensou, já refletiu, já elaborou conceitos e idéias, não estão levando a sério a vida acadêmica e, conseqüentemente, não serão profissionais respeitáveis em suas áreas de trabalho.

Além disso, como justificar um comportamento como esse, proveniente de alguém que está sendo encaminhando para o ministério pastoral, onde valores e princípios devem ser buscados e preservados? É eticamente reprovável aceitar as facilidades da tecnologia cibernética moderna para galgar novas etapas, cumprir com facilidade obrigações estudantis, avançar para os passos seguintes sem que isto represente um esforço próprio e signifique apropriação de conhecimentos.

Quero fazer três considerações básicas sobre a questão, que entendo serem úteis não só para estudantes que tenham princípios cristãos, mas para aqueles que de modo geral estão interessados em buscar um conhecimento sadio e honesto.

Primeiro, a cópia de conteúdos não gera conhecimentos. É ignorância basear-se na cópia de conteúdos para cumprir requisitos necessários à aprovação em disciplinas acadêmicas. Nos tempos anteriores à Internet, ainda se tinha o concurso da “cópia manuscrita/datilografada de conteúdos” que, somada à leitura dos mesmos para efetuar a tal cópia, expunha o conteúdo em dois momentos distintos para o copista. Com o advento da Internet basta o uso das teclas Ctrl + C e Ctrl + V para a impressão de conteúdos que sequer foram lidos. Conhecimento se constrói com leitura, reflexão e assimilação de conteúdos. A tecnologia internética é avessa ao conhecimento e emburrece a classe estudantil à medida que não leva o indivíduo a exercitar a leitura, a reflexão e o cruzamento de dados, processo tão importante ao conhecimento.

Segundo, os mestres não podem ser relapsos com seus alunos. No frenesi moderno, em que a educação brasileira se tornou um subemprego, professores precisam acumular contratos em várias instituições de ensino para reforçar o orçamento doméstico. Neste esquema, mal têm tempo para deslocar-se entre os estabelecimentos de ensino e não podem dar a devida atenção aos testes, trabalhos e pesquisas recomendados aos seus pupilos. Algumas escolas solicitam dos alunos uma “introdução” e uma “conclusão” aos trabalhos pedidos, criando, desta forma, um mecanismo de controle do conteúdo apresentado. Neste caso, ocorre a admissão de que o trabalho é originário da Internet, o que, por si só, já é um erro. O fato de o professor procurar na “introdução” e na “conclusão” a intervenção do aluno é pouco para o conhecimento pretendido. Dessa forma, o processo ensino-aprendizagem fica prejudicado e o aluno, por falta de leitura, ingressa no mercado de trabalho e na vida adulta sem a bagagem necessária para o enfrentamento das circunstâncias da vida. Entra-se, então, no círculo vicioso daquilo que já ouvi alhures: os professores fingem que ensinam, enquanto os alunos fingem que aprendem...

Terceiro, o pequeno desvio é o pai da grande fraude. Sem princípios e valores norteadores da vida; sem exemplos de vida dos gestores da educação; sem parâmetros adequados para se conduzir o processo de aprendizagem; nossos alunos ficam sujeitos a repetição de erros, criando-se uma normalidade altamente nociva para a educação brasileira. A sociedade, através dos meios de comunicação de massa, grita por maior moralidade na política nacional e tenta entender tanta corrupção, suborno e desvios entranhados na cultura nacional. Tudo começa, porém, nos pequenos delitos que a sociedade tampa os olhos para não ver, mas que vai inoculando a desgraça da corrupção nas veias morais da brasilidade. O brasileiro cresce acostumado a “levar vantagem em tudo”. Não há a preocupação de se estabelecer princípios morais (até porque alguns mais modernosos os reputam por antiquados) e o caos torna-se cada vez mais grave. O incremento da violência, do consumo de drogas, da banalização do sexo (com conseqüente aumento dos casos de assédio sexual, gravidez na adolescência, pedofilia e toda sorte de crime sexual), do aborto, da ilegalidade e da crise de autoridade tem a ver com os pequenos desvios (como o caso da “cópia” escolar) que não são devidamente disciplinados e que, entranhados no inconsciente coletivo nacional, constroem uma sociedade corrupta que se prepara para a grande fraude da vida:

- Existir é uma hipocrisia! Às “cucuias” com a educação...

Obrigado Google por expor as entranhas da moralidade brasileira e o que se vê não é nada animador.

sábado, 21 de junho de 2008

MARIA APRISIONADA


Quem foi Maria e o que ela representa para o Cristianismo? Há um adesivo para carro muito popular no Brasil (o adesivo, não o carro!), que apresenta um desenho pretendendo representar Maria, em que ela está envolvida por um terço de contas (se é esta a nomenclatura exata para tal artefato). A freqüência com que tenho me deparado com tal adesivo tem-me preocupado, pois esta realidade revela um incremento do “culto à Maria” ou “mariolatria”, fato este que contraria as Escrituras Sagradas.

Talvez a recorrência da visualização dessa imagem tenha me levado a uma percepção que me incomoda: naquele adesivo, Maria está aprisionada no cordão da idolatria. Ao chegar a esta conclusão, interessei-me por investigar a personagem bíblica e redescobrir verdades e valores que o aprisionamento que se faz no Brasil, de Maria, ao cordão da idolatria, leva tanto católicos como evangélicos, a não perceberem. Por um lado, há o enaltecimento exacerbado de Maria, promovido pelos católicos, que contraria frontalmente a verdade escriturística. Por outro, há um quase que total esquecimento da figura de Maria pelos evangélicos, talvez por conta do receio de ferir suscetibilidades ou esbarrar na prática confessional católica de deificar Maria.

Não há qualquer margem no texto bíblico que nos possibilite enxergar em Maria uma espécie de deusa ou mãe de Deus. Algumas verdades sobre esta questão precisam ser ditas e o farei citando os textos bíblicos que as testificam:

1º) Maria não é mãe de Deus. Ela é mãe do Jesus histórico, do Jesus humano, pois o Jesus divino antecede o Jesus humano nascido em Belém. (Jo 1.1-3; 1Jo 2.13,14; Hb 13.8);

2º) Maria não permaneceu virgem para sempre. Ela deu à luz a Jesus, de forma divina, pela concepção do Espírito Santo, mas, depois do nascimento de Jesus ela casou-se com José de quem teve outros filhos. (Mt 1.18-25; Mt.12.46-49; Mt 13.55; Mc 3.31-34; Lc 8.19-21; Jo 7.3-10);

3º) Maria não foi assunta aos céus. Não há nenhum indicativo bíblico deste acontecimento. Somente Jesus ascendeu aos céus. A tentativa de dar a Maria esta paridade de fenômeno, semelhante ao de Cristo, é invenção humana para fortalecer a mariolatria. (Mc 16.19; Lc 24.50-53; At 1.9-11);

4º) Maria não é medianeira. Outra tentativa de supervalorizar Maria é declarar-lhe mediadora entre Deus e os homens. A expressão está bem popularizada no adesivo “peça à Mãe que o Filho atende” que também contraria todo o conteúdo da Bíblia. A Bíblia é taxativa em afirmar que só existe um mediador e que este é Jesus Cristo. Jesus alcançou esta condição por ser ele Deus, algo que Maria está longe de ser. (1Tm 2.5).

Poderíamos fazer outras assertivas sobre os erros que se cometem atribuindo a Maria uma condição que ela não tem, mas, creio que as apresentadas são suficientes para esclarecer o leitor acerca destas impropriedades. Além disso, meu propósito é mostrar que o aprisionamento de Maria não é só culpa dos católicos, mas, também, dos evangélicos. Daqueles, por causa da idolatria empobrecedora da fé cristã; destes, por conta do descaso a um personagem bíblico que tem muito a nos ensinar. Vamos ver alguns aspectos interessantes que devem ser destacados na pessoa de Maria.

1º) Liberte a Maria bíblica, exemplo de mulher.
A escolha de Maria para ser aquela que receberia o menino Jesus em seu ventre, aconchegando-o em seus primeiros momentos de vida, está calcada na qualidade de mulher que ela foi. Lembremos-nos que o contexto judaico não era dos mais propícios à valorização da mulher. Este quadro vai ser modificado exatamente com a ascensão da pessoa do Cristo que ela carregava no ventre ao coração daqueles que creram nele como Salvador. O Apóstolo Paulo teologiza isso (Gl 3.28; Cl 3.11) quando diz que em Cristo não há diferenças raciais, de gênero, sociais ou econômicas. O Reino dos Céus é propício a todos, inclusive às mulheres. É importante frisar isso, porque num contexto onde a mulher não é valorizada e, conseqüentemente, não recebia os investimentos necessários para ascender socialmente como mulher, Maria sobressai-se com seu caráter e sua fé. Ela possuía uma família, uma educação, uma formação de caráter adequada; postura, princípios, valores, sem falar na base espiritual calcada no judaísmo messiânico que enchia seu coração de esperança.

Condições morais, espirituais e familiares estavam reunidas em Maria para habilitá-la à tornar-se receptora do Messias em seu ventre. José, que também possuía excelente caráter, percebeu isso nela – a virgem da Casa de Davi – com quem iria desposar-se. Tanto que, quando soube de sua gravidez, teve a intenção impedida pelo anjo do Senhor, de deixá-la em segredo, para não difamá-la, coisa que ela não merecia (Is 7.14; Mt 1.18-25; Lc 1.26-38).

Que todas as mulheres se mirem no exemplo de mulher que foi Maria e aprendam com ela a força do seu caráter e de sua fé, bem como a maternidade responsável que soube se haver corretamente, nos momentos vários como o parto difícil nas condições inadequadas de Belém (Lc 2.1-7); os problemas externos que atentavam contra a integridade física de seu filho, como o foi o decreto de Herodes sobre a matança dos meninos (Mt 2.1-23); e a preocupação com a formação religiosa do menino, conduzindo-o ao templo (Lc 2.39-52). Maria, em tudo, portou-se como mulher cônscia de seu papel e cumpridora dos seus deveres.


2º) Liberte a Maria bíblica, modelo de serva.
Outro fato destacável na figura de Maria é sua condição de serva. Só assume a condição de servo, quem tem um relacionamento de verdade com o seu Senhor. A teologia do doulos, muito bem desenvolvida nas cartas paulinas, está esquecida pela cristandade contemporânea. Muitos querem ser servidos, contrariando a proposta do próprio Cristo, e o desafio por ele deixado para seus discípulos: “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45). O perfil de muitos líderes ditos cristãos, evangélicos ou não, está longe desse perfil de servo. Ostentando carros de luxo, roupas de grife, casas-mansões, vivem um cristianismo de resultados onde uma nociva teologia da prosperidade grassa como erva daninha nos arraiais dos incautos fiéis.

Maria, diferentemente deste quadro, estava bem ajustada neste papel de serva. Ela afirma de forma serena e tranqüila, ante as informações bombásticas do anjo: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1.38). O servo é humilde, é submisso. A obediência é marca inconteste na vida do servo e Maria estava disposta e disponível para ser instrumento de Deus para cumprimento de sua missão salvadora no mundo. Esta atitude respeitosa de obediência e submissão, somada à sua disposição pelo cumprimento da vontade - a palavra proferida pelo anjo como palavra divina -, demarcam esta qualidade de serva que Maria foi e que precisa ser imitada.

3º) Liberte a Maria bíblica, espelho de cristã.
Pode parecer anacronismo falar em cristianismo naqueles tempos do Jesus histórico. Mas, quero ressaltar isto, delimitando a questão não a um cristianismo institucionalizado como o vemos hoje, mas, ao cristianismo puro, verdadeiro, essencial; que é aquele que diz respeito ao seguimento de Jesus, sua vida, exemplo e ensinamentos. Podemos aludir a Maria como espelho de cristã, à medida que ela, à semelhança de João Batista (Jo 3.30), soube reconhecer o seu verdadeiro lugar e a supremacia de Jesus. Não entendo porque os católicos insistem tanto em dar a Maria um papel e um lugar que ela não quis ocupar e nem mesmo o reivindicou para si.

No episódio do casamento em Caná da Galiléia (Jo 2.1-12), há um diálogo muito rico entre Maria, Jesus e os serviçais, que esclarece bem o reconhecimento que Maria tem de Jesus como Salvador e Senhor:

“E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse:
- Não têm vinho.
Disse-lhe Jesus:
- Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.
Sua mãe disse aos serventes:
- Fazei tudo quanto ele vos disser.
E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes. Disse-lhes Jesus:
- Enchei de água essas talhas.
E encheram-nas até em cima. E disse-lhes:
- Tirai agora, e levai ao mestre-sala.
E levaram. E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo. E disse-lhe:
- Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.
Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.”

O grifo (meu) ao texto bíblico ressalta o reconhecimento que Maria tinha de que a voz de Jesus deveria ser ouvida. Se cristão é aquele que segue a Cristo, ouve a sua voz e obedece aos seus mandamentos, Maria está alinhada com este pensamento, quando entende que Jesus tem palavras de poder que podem modificar de forma transcendental a materialidade. Foi o que ocorreu naquela festa de casamento. Paradoxo, mas realidade: era seu filho, mas era seu Senhor. E ela, como serva submissa, reconhecia a divindade de Jesus Cristo e orientava no sentido de haver total obediência ao seu comando.

Neste sentido, vale ressaltar que vivemos dias em que muitos cristãos não mais obedecem às ordens de seu Senhor. Existe um cristianismo de fachada que precisa ser restaurado em busca da verdadeira expressão da graça libertadora que é a presença de Cristo em nossas vidas (Jo 8.36; Gl 5.1).

Feitas estas considerações acerca de uma Maria aprisionada tanto por católicos (idolatria) quanto por evangélicos (quase que uma desconsideração), nosso desejo é que Maria, seu exemplo, sua vida, sua espiritualidade, seu caráter sejam tomados por imitação – como também recomenda o apóstolo Paulo em 1Coríntios 11.1 - pelas mulheres (e por que não pelos homens também?!) que querem viver uma vida digna de amor e serviço cristão.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

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