quinta-feira, 16 de outubro de 2008

CONHECENDO A BÍBLIA


Será que ainda existe alguém em nosso mundo que não conheça a Bíblia? Ou, será que num tipo de sociedade como a em que vivemos, ainda há espaço para a busca do conhecimento da Bíblia? Ao que parece, estas dúvidas não existem nas cabeças dos promotores da exposição que acontece desde 29 de março na Biblioteca Celso Kelly, no centro do Rio de Janeiro.

A exposição, que recebe o título em epígrafe, é uma realização da Associação Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro, em parceria com a Biblioteca Pública do Estado, utilizando-se de acervo da Biblioteca Cardeal Câmara. Interessante esta promoção, tendo em vista o acentuado interesse que a figura de Jesus Cristo e dos Escritos Sagrados têm tido nos últimos meses. Basta visitar qualquer livraria e ter-se-á uma visão mais acurada disto: são dezenas de títulos sobre estes temas.

Toda a estrutura da exposição foi muito tem montada, incluindo textos elucidativos que apresentavam as peças expostas. A autoria dos textos é de Dom Estevão Bettencourt, que definiu o que é a Bíblia sem destoar do que a maioria dos evangélicos crê: “A Bíblia é um dos livros mais lidos sobre a face da terra e um dos que mais influência exerceram sobre a história do mundo ocidental.”

Valeu a pena rever alguns exemplares antigos da Bíblia e outros extremamente curiosos. A Bíblia mais antiga do acervo é uma versão alemã de 1618, com o título de Hest Heyligh Evangeliun. Além desta, o visitante pode deliciar-se com exemplares em árabe, grego, hebraico, norueguês, português, francês, sânscrito, russo, inglês, italiano, galês clássico, dentre outras línguas e dialetos.

Rica em ilustrações, fotos e gráficos, a exposição apresentou algumas curiosidades que despertam de imediato a atenção do visitante. Há, por exemplo, um belo exemplar da versão judaica, a Torah (Lei de Moisés), em formato de rolo. Outros dois belos exemplares são uma versão dos Salmos, musicado, em holandês, datado de 1773, e um exemplar da Bíblia em latim de 1795.

Dentre as curiosidades, destacam-se: a) Uma Bíblia em esperanto de 1978, traduzida pelo criador do esperanto, Lázaro Ludoviko Zamenhof; b) a Menor Bíblia do Mundo (em microficha), obtida pelo processo denominado de PCMI e desenvolvido no início da década de 60 pela NCR (EUA). Esta Bíblia minúscula está contida numa ficha de 4cm X 4cm, contendo o Antigo e Novo Testamentos, com 1.245 páginas, num total de 773.746 caracteres. Isso só é possível porque ela está num grau de redução de 250 vezes. c) Miniaturas de Bíblias, em inglês e alemão, que cabem na palma da mão. Verdadeiras jóias! D) Bíblia em Braille.

A exposição foi dividida em diversos setores, dando atenção especial ao que seus promotores entenderam ser mais importante. Num setor que explicava a formação do cânon, Dom Estevão Bettencourt salientou a diferença de cânon entre católicos e protestantes: “Entre os cristãos,os católicos adotam o catálogo (cânon) amplo dos judeus de Alexandria, catálogos utilizados pelos Apóstolos em seus escritos sagrados. Os protestantes adotam o catálogo restrito dos judeus de Jâmnia (Palestina) preferido pelos reformadores do século XVI”.

Na seção destinada aos apócrifos, havia exemplares de livros como: O Evangelho Segundo São Tomé, A Epístola de Barnabé,O Evangelho de Pedro. Para Dom Bettencourt, “apócrifo é o livro que não se lê em público ou na Liturgia, mas se pode ler em particular”. Outra seção interessante é a dedicada ao movimento ecumênico. Para o autor dos textos, “a Bíblia é o ponto de encontro de judeus e cristãos, (....) cristãos ocidentais e orientais”. Apresenta com destaque a Bíblia Ecumênica editada em francês, cujo Novo Testamento já está disponível em Português.
Interessante a presença de alguns exemplares da IBB e da SBB, bem como de concordâncias bíblicas evangélicas. A parte textual da exposição é fechada com a seguinte afirmação e citação bíblica: “Em suma, a Bíblia vem revelando seu imperecível valor; atravessa os tempos sempre nova e jovem, como é a palavra de Deus. Seca-se a erva, murcha-se a flor mas a palavra do nosso Deus subsiste para sempre” (Isaías 40.8).

Fiquei sabendo desta exposição através de uma nota publicada no caderno “Idéias-livros” do Jornal do Brasil de 2 de abril. Fui ver, porque o assunto me interessa, mas imaginei a carência de Bíblia da sociedade brasileira. Uma exposição como esta, é claro, enfatiza o lado cultural, intelectual e histórico do produto Bíblia enquanto livro que é o maior best seller de todos os tempos. Não se nega o valor de uma iniciativa como esta. O que, porém, deve ser ressaltado é que o brasileiro precisa conhecer a Bíblia, não como mais um produto desta nossa sociedade de consumo, mas como Palavra de Deus que liberta e transforma o homem.O brasileiro precisa conhecer e apropriar-se do conteúdo sagrado da Bíblia.

Neste sentido, cabe a nós, evangélicos, fazer o que está ao nosso alcance para difundir a Bíblia. este ano em que comemoramos o cinqüentenário da primeira Bíblia totalmente editada no Brasil – a versão de Almeida da IBB – temos o desafio de abraçar esta Causa.

Quem se interessar e não conseguir visitar a exposição na Biblioteca Celso Kelly, poderá conhecer este acervo bíblico e outros na Biblioteca Cardeal Câmara, no Palácio São Joaquim, rua da Glória, 446, Rio de Janeiro. A JUERP, em sua biblioteca e na IBB, também dispõe de interessantes exemplares da Bíblia – versões em português e outras línguas. Mas, o melhor acervo é o do Museu da Bíblia, em Barueri, que pode ser previamente conhecido pelo sítio: http://www.sbb.org.br/mubi/src/
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Observação: Este texto foi publicado originalmente em O Jornal Batista, na coluna DIA A DIA, assinada pelo autor naquele hebdomadário. Publicada na edição de 24 de Abril de 1994.

domingo, 22 de junho de 2008

“OBRIGADO GOOGLE!”


O que é o Google? Uma ferramenta de pesquisa para Internet. Muito útil, mas que, se incorretamente utilizada pode ser um caos para a educação moderna. A quantidade de estudantes e pesquisadores que se utiliza desta e de outras ferramentas disponíveis é quase que incalculável.

Ouvi de um pregador, num auditório onde haviam várias igrejas representadas, a história de um seminarista que na formatura levantou uma faixa com os dizeres em epígrafe. Erro do seminarista. Erro do orador, que contou o causo em tom de chacota. Vivemos a era da superficialidade. Do enaltecimento do erro e do desvio; da busca das coisas fáceis e da apropriação das idéias alheias sem dar os devidos créditos.

Os tempos modernos engendram uma cultura da farsa, da máscara. Estudantes que acessem a Internet com o intento de sugar o já feito, apropriar-se do suor do outro, daquele que já pensou, já refletiu, já elaborou conceitos e idéias, não estão levando a sério a vida acadêmica e, conseqüentemente, não serão profissionais respeitáveis em suas áreas de trabalho.

Além disso, como justificar um comportamento como esse, proveniente de alguém que está sendo encaminhando para o ministério pastoral, onde valores e princípios devem ser buscados e preservados? É eticamente reprovável aceitar as facilidades da tecnologia cibernética moderna para galgar novas etapas, cumprir com facilidade obrigações estudantis, avançar para os passos seguintes sem que isto represente um esforço próprio e signifique apropriação de conhecimentos.

Quero fazer três considerações básicas sobre a questão, que entendo serem úteis não só para estudantes que tenham princípios cristãos, mas para aqueles que de modo geral estão interessados em buscar um conhecimento sadio e honesto.

Primeiro, a cópia de conteúdos não gera conhecimentos. É ignorância basear-se na cópia de conteúdos para cumprir requisitos necessários à aprovação em disciplinas acadêmicas. Nos tempos anteriores à Internet, ainda se tinha o concurso da “cópia manuscrita/datilografada de conteúdos” que, somada à leitura dos mesmos para efetuar a tal cópia, expunha o conteúdo em dois momentos distintos para o copista. Com o advento da Internet basta o uso das teclas Ctrl + C e Ctrl + V para a impressão de conteúdos que sequer foram lidos. Conhecimento se constrói com leitura, reflexão e assimilação de conteúdos. A tecnologia internética é avessa ao conhecimento e emburrece a classe estudantil à medida que não leva o indivíduo a exercitar a leitura, a reflexão e o cruzamento de dados, processo tão importante ao conhecimento.

Segundo, os mestres não podem ser relapsos com seus alunos. No frenesi moderno, em que a educação brasileira se tornou um subemprego, professores precisam acumular contratos em várias instituições de ensino para reforçar o orçamento doméstico. Neste esquema, mal têm tempo para deslocar-se entre os estabelecimentos de ensino e não podem dar a devida atenção aos testes, trabalhos e pesquisas recomendados aos seus pupilos. Algumas escolas solicitam dos alunos uma “introdução” e uma “conclusão” aos trabalhos pedidos, criando, desta forma, um mecanismo de controle do conteúdo apresentado. Neste caso, ocorre a admissão de que o trabalho é originário da Internet, o que, por si só, já é um erro. O fato de o professor procurar na “introdução” e na “conclusão” a intervenção do aluno é pouco para o conhecimento pretendido. Dessa forma, o processo ensino-aprendizagem fica prejudicado e o aluno, por falta de leitura, ingressa no mercado de trabalho e na vida adulta sem a bagagem necessária para o enfrentamento das circunstâncias da vida. Entra-se, então, no círculo vicioso daquilo que já ouvi alhures: os professores fingem que ensinam, enquanto os alunos fingem que aprendem...

Terceiro, o pequeno desvio é o pai da grande fraude. Sem princípios e valores norteadores da vida; sem exemplos de vida dos gestores da educação; sem parâmetros adequados para se conduzir o processo de aprendizagem; nossos alunos ficam sujeitos a repetição de erros, criando-se uma normalidade altamente nociva para a educação brasileira. A sociedade, através dos meios de comunicação de massa, grita por maior moralidade na política nacional e tenta entender tanta corrupção, suborno e desvios entranhados na cultura nacional. Tudo começa, porém, nos pequenos delitos que a sociedade tampa os olhos para não ver, mas que vai inoculando a desgraça da corrupção nas veias morais da brasilidade. O brasileiro cresce acostumado a “levar vantagem em tudo”. Não há a preocupação de se estabelecer princípios morais (até porque alguns mais modernosos os reputam por antiquados) e o caos torna-se cada vez mais grave. O incremento da violência, do consumo de drogas, da banalização do sexo (com conseqüente aumento dos casos de assédio sexual, gravidez na adolescência, pedofilia e toda sorte de crime sexual), do aborto, da ilegalidade e da crise de autoridade tem a ver com os pequenos desvios (como o caso da “cópia” escolar) que não são devidamente disciplinados e que, entranhados no inconsciente coletivo nacional, constroem uma sociedade corrupta que se prepara para a grande fraude da vida:

- Existir é uma hipocrisia! Às “cucuias” com a educação...

Obrigado Google por expor as entranhas da moralidade brasileira e o que se vê não é nada animador.

sábado, 21 de junho de 2008

MARIA APRISIONADA


Quem foi Maria e o que ela representa para o Cristianismo? Há um adesivo para carro muito popular no Brasil (o adesivo, não o carro!), que apresenta um desenho pretendendo representar Maria, em que ela está envolvida por um terço de contas (se é esta a nomenclatura exata para tal artefato). A freqüência com que tenho me deparado com tal adesivo tem-me preocupado, pois esta realidade revela um incremento do “culto à Maria” ou “mariolatria”, fato este que contraria as Escrituras Sagradas.

Talvez a recorrência da visualização dessa imagem tenha me levado a uma percepção que me incomoda: naquele adesivo, Maria está aprisionada no cordão da idolatria. Ao chegar a esta conclusão, interessei-me por investigar a personagem bíblica e redescobrir verdades e valores que o aprisionamento que se faz no Brasil, de Maria, ao cordão da idolatria, leva tanto católicos como evangélicos, a não perceberem. Por um lado, há o enaltecimento exacerbado de Maria, promovido pelos católicos, que contraria frontalmente a verdade escriturística. Por outro, há um quase que total esquecimento da figura de Maria pelos evangélicos, talvez por conta do receio de ferir suscetibilidades ou esbarrar na prática confessional católica de deificar Maria.

Não há qualquer margem no texto bíblico que nos possibilite enxergar em Maria uma espécie de deusa ou mãe de Deus. Algumas verdades sobre esta questão precisam ser ditas e o farei citando os textos bíblicos que as testificam:

1º) Maria não é mãe de Deus. Ela é mãe do Jesus histórico, do Jesus humano, pois o Jesus divino antecede o Jesus humano nascido em Belém. (Jo 1.1-3; 1Jo 2.13,14; Hb 13.8);

2º) Maria não permaneceu virgem para sempre. Ela deu à luz a Jesus, de forma divina, pela concepção do Espírito Santo, mas, depois do nascimento de Jesus ela casou-se com José de quem teve outros filhos. (Mt 1.18-25; Mt.12.46-49; Mt 13.55; Mc 3.31-34; Lc 8.19-21; Jo 7.3-10);

3º) Maria não foi assunta aos céus. Não há nenhum indicativo bíblico deste acontecimento. Somente Jesus ascendeu aos céus. A tentativa de dar a Maria esta paridade de fenômeno, semelhante ao de Cristo, é invenção humana para fortalecer a mariolatria. (Mc 16.19; Lc 24.50-53; At 1.9-11);

4º) Maria não é medianeira. Outra tentativa de supervalorizar Maria é declarar-lhe mediadora entre Deus e os homens. A expressão está bem popularizada no adesivo “peça à Mãe que o Filho atende” que também contraria todo o conteúdo da Bíblia. A Bíblia é taxativa em afirmar que só existe um mediador e que este é Jesus Cristo. Jesus alcançou esta condição por ser ele Deus, algo que Maria está longe de ser. (1Tm 2.5).

Poderíamos fazer outras assertivas sobre os erros que se cometem atribuindo a Maria uma condição que ela não tem, mas, creio que as apresentadas são suficientes para esclarecer o leitor acerca destas impropriedades. Além disso, meu propósito é mostrar que o aprisionamento de Maria não é só culpa dos católicos, mas, também, dos evangélicos. Daqueles, por causa da idolatria empobrecedora da fé cristã; destes, por conta do descaso a um personagem bíblico que tem muito a nos ensinar. Vamos ver alguns aspectos interessantes que devem ser destacados na pessoa de Maria.

1º) Liberte a Maria bíblica, exemplo de mulher.
A escolha de Maria para ser aquela que receberia o menino Jesus em seu ventre, aconchegando-o em seus primeiros momentos de vida, está calcada na qualidade de mulher que ela foi. Lembremos-nos que o contexto judaico não era dos mais propícios à valorização da mulher. Este quadro vai ser modificado exatamente com a ascensão da pessoa do Cristo que ela carregava no ventre ao coração daqueles que creram nele como Salvador. O Apóstolo Paulo teologiza isso (Gl 3.28; Cl 3.11) quando diz que em Cristo não há diferenças raciais, de gênero, sociais ou econômicas. O Reino dos Céus é propício a todos, inclusive às mulheres. É importante frisar isso, porque num contexto onde a mulher não é valorizada e, conseqüentemente, não recebia os investimentos necessários para ascender socialmente como mulher, Maria sobressai-se com seu caráter e sua fé. Ela possuía uma família, uma educação, uma formação de caráter adequada; postura, princípios, valores, sem falar na base espiritual calcada no judaísmo messiânico que enchia seu coração de esperança.

Condições morais, espirituais e familiares estavam reunidas em Maria para habilitá-la à tornar-se receptora do Messias em seu ventre. José, que também possuía excelente caráter, percebeu isso nela – a virgem da Casa de Davi – com quem iria desposar-se. Tanto que, quando soube de sua gravidez, teve a intenção impedida pelo anjo do Senhor, de deixá-la em segredo, para não difamá-la, coisa que ela não merecia (Is 7.14; Mt 1.18-25; Lc 1.26-38).

Que todas as mulheres se mirem no exemplo de mulher que foi Maria e aprendam com ela a força do seu caráter e de sua fé, bem como a maternidade responsável que soube se haver corretamente, nos momentos vários como o parto difícil nas condições inadequadas de Belém (Lc 2.1-7); os problemas externos que atentavam contra a integridade física de seu filho, como o foi o decreto de Herodes sobre a matança dos meninos (Mt 2.1-23); e a preocupação com a formação religiosa do menino, conduzindo-o ao templo (Lc 2.39-52). Maria, em tudo, portou-se como mulher cônscia de seu papel e cumpridora dos seus deveres.


2º) Liberte a Maria bíblica, modelo de serva.
Outro fato destacável na figura de Maria é sua condição de serva. Só assume a condição de servo, quem tem um relacionamento de verdade com o seu Senhor. A teologia do doulos, muito bem desenvolvida nas cartas paulinas, está esquecida pela cristandade contemporânea. Muitos querem ser servidos, contrariando a proposta do próprio Cristo, e o desafio por ele deixado para seus discípulos: “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45). O perfil de muitos líderes ditos cristãos, evangélicos ou não, está longe desse perfil de servo. Ostentando carros de luxo, roupas de grife, casas-mansões, vivem um cristianismo de resultados onde uma nociva teologia da prosperidade grassa como erva daninha nos arraiais dos incautos fiéis.

Maria, diferentemente deste quadro, estava bem ajustada neste papel de serva. Ela afirma de forma serena e tranqüila, ante as informações bombásticas do anjo: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1.38). O servo é humilde, é submisso. A obediência é marca inconteste na vida do servo e Maria estava disposta e disponível para ser instrumento de Deus para cumprimento de sua missão salvadora no mundo. Esta atitude respeitosa de obediência e submissão, somada à sua disposição pelo cumprimento da vontade - a palavra proferida pelo anjo como palavra divina -, demarcam esta qualidade de serva que Maria foi e que precisa ser imitada.

3º) Liberte a Maria bíblica, espelho de cristã.
Pode parecer anacronismo falar em cristianismo naqueles tempos do Jesus histórico. Mas, quero ressaltar isto, delimitando a questão não a um cristianismo institucionalizado como o vemos hoje, mas, ao cristianismo puro, verdadeiro, essencial; que é aquele que diz respeito ao seguimento de Jesus, sua vida, exemplo e ensinamentos. Podemos aludir a Maria como espelho de cristã, à medida que ela, à semelhança de João Batista (Jo 3.30), soube reconhecer o seu verdadeiro lugar e a supremacia de Jesus. Não entendo porque os católicos insistem tanto em dar a Maria um papel e um lugar que ela não quis ocupar e nem mesmo o reivindicou para si.

No episódio do casamento em Caná da Galiléia (Jo 2.1-12), há um diálogo muito rico entre Maria, Jesus e os serviçais, que esclarece bem o reconhecimento que Maria tem de Jesus como Salvador e Senhor:

“E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse:
- Não têm vinho.
Disse-lhe Jesus:
- Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.
Sua mãe disse aos serventes:
- Fazei tudo quanto ele vos disser.
E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes. Disse-lhes Jesus:
- Enchei de água essas talhas.
E encheram-nas até em cima. E disse-lhes:
- Tirai agora, e levai ao mestre-sala.
E levaram. E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo. E disse-lhe:
- Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.
Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.”

O grifo (meu) ao texto bíblico ressalta o reconhecimento que Maria tinha de que a voz de Jesus deveria ser ouvida. Se cristão é aquele que segue a Cristo, ouve a sua voz e obedece aos seus mandamentos, Maria está alinhada com este pensamento, quando entende que Jesus tem palavras de poder que podem modificar de forma transcendental a materialidade. Foi o que ocorreu naquela festa de casamento. Paradoxo, mas realidade: era seu filho, mas era seu Senhor. E ela, como serva submissa, reconhecia a divindade de Jesus Cristo e orientava no sentido de haver total obediência ao seu comando.

Neste sentido, vale ressaltar que vivemos dias em que muitos cristãos não mais obedecem às ordens de seu Senhor. Existe um cristianismo de fachada que precisa ser restaurado em busca da verdadeira expressão da graça libertadora que é a presença de Cristo em nossas vidas (Jo 8.36; Gl 5.1).

Feitas estas considerações acerca de uma Maria aprisionada tanto por católicos (idolatria) quanto por evangélicos (quase que uma desconsideração), nosso desejo é que Maria, seu exemplo, sua vida, sua espiritualidade, seu caráter sejam tomados por imitação – como também recomenda o apóstolo Paulo em 1Coríntios 11.1 - pelas mulheres (e por que não pelos homens também?!) que querem viver uma vida digna de amor e serviço cristão.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

WEBARTIGOS: Um Excelente Site para Novos Autores

Quem deseja publicar seus artigos, poemas e ensaios tem no site WEBARTIGOS um ótimo espaço para divulgação de idéias, com boa aceitação pelo público e um formato de fácil acessibilidade, o que permite a interação com o leitor através de comentários e réplicas.

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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

RELIGIÃO, POLÍTICA E CORRUPÇÃO

Ainda sofrendo os respingos dos últimos acontecimentos que tiveram como palco a Câmara Federal, o Brasil chafurda-se nas descobertas de uma CPI que quase faz os brasileiros acreditarem que religião, política e corrupção sejam sinônimas. Assusta, não?! Mas é isso o que dezenas de reportagens publicadas na imprensa secular deixaram bastante explícito nos últimos meses. É como se as entranhas da corrupção fossem revolvidas e nesta empreitada se descobrisse que sangue evangélico estivesse correndo.

À coisa começou quando se descobriu que a Comissão de Orçamento, em Brasília, servia apenas de fachada para que deputados espertalhões desviassem dinheiro para os seus bolsos. Este dinheiro, para despistar, passava por caminhos sinuosos que incluía entidades assistenciais fantasmas. Nestas, começaram a surgir algumas com nomes muito parecidos com coisas a que os evangélicos estão acostumados: Ordem de Ministros Evangélicos do Brasil, Associação Promotora de Evangelismo (Rádio Boas Novas), Associação Fluminense de Educação e outras. É triste, mas é verdade: entidades muito próximas ao convívio dos evangélicos.

As reportagens apresentaram títulos os mais comprometedores. Vejam: Pastor ganhou verbas mas já lesou INSS. Muito triste. Trata-se do reverendo Isaías de Souza Maciel acusado de fraudes com o antigo INAMPS, na gestão do SASE (Serviço de Assistência Social Evangélico). Ele sustenta o título de persona non grata junto à Previdência Social (ver Jornal do Brasil, 6/11/93). Outra reportagem estampou: A CPI da adúltera na paróquia, fazendo referência à Marinalva Soares da Silva, 38, que foi expulsa da Assembléia de Deus pelo pai, pastor Marinésio, “que não agüentou as pressões da comunidade”. Ela é ex-esposa do deputado Manoel Moreira (PMDB-SP), envolvido até o pescoço no lamaçal do Congresso (confira em Veja, nº 1319, pág. 81).

Nesta esteira, é claro que muitos jornalistas não deixaram isto barato. É o caso de Aguinaldo Silva, que em sua coluna no Jornal do Brasil soltou este torpedo: “Não é segredo pra ninguém que os deuses evangélicos nutrem um apetite voraz por dinheiro.” E acrescentou: “Tudo bem quando este dinheiro sai dos bolsos dos fiéis através do chamado dízimo. Agora, quando é pescado nos cofres públicos, aí a gente começa a perceber melhor o quanto é móvel a fronteira que separa certas religiões da picaretagem pura e simples.” (14/11/93).

Triste disto tudo é que as grandes denominações evangélicas no Brasil pouco ou nada fazem para verem-se livres destes fantasmas políticos que rondam as suas agremiações. Alguns destes, que se dizem representantes dos evangélicos nas instâncias políticas, nunca honraram sua denominação e seu Deus, sequer correspondendo aos anseios daqueles que os alçaram ao poder público. Mas, aí, o emaranhado de gatos é ainda maior, porque no Brasil o próprio povo se acomodou aos votos de barganha, num troca-troca desavergonhado em que a lei da vantagem se sobrepõe à ética cristã.

Até que houve um arremedo de resistência, mas, então, “Inês já era morta!” Uma reportagem trouxe a manchete: CPI deixa evangélicos preocupados, e o seguinte subtítulo: Pastores acham discriminação citar vínculo de Moreira com a Assembléia de Deus (ver Jornal do Brasil, 14/11/93). Tudo bem que a imprensa é cruel neste sentido. Quando é um católico ou espírita que fraqueja no trato da coisa pública, ela não ressalta sua condição religiosa, mas quando é evangélico... Ah, quando é evangélico, a imprensa descasca! Mas, será que os líderes das diversas denominações não sabem com quem estão lidando? Picareta se conhece pelo cheiro. Mas aqui também entra um conceito muito brincalhão no meio evangélico: o utilitarismo de carteirinha. É o chamado útil descartável: enquanto não compromete até que o elemento “x” ou “y” pode prestar uns bons serviços à Causa. Então, quando a gente toma chicotada da imprensa é porque lá atrás, a uns bons quarteirões, a ética ficou estilhaçada...

Não é preciso que os evangélicos arranquem os cabelos por causa desta situação. É necessário, tão somente, que estejam dispostos a cumprirem seu papel de “sal da terra” e “luz do mundo”, sem rodeios e sem medos, conscientes de que já passou o tempo em que se vivia uma dicotomia nas relações com o material. Sagrado e profano são conceitos que se prestam muito bem à manipulação de mentes e circunstâncias. Se estamos com nossas vidas submissas à ação do Espírito Santo e nisto perseveramos, não há espaço para fragmentações: somos do Senhor e pronto! Agora, não dá para aceita a corrupção passivamente. Quando cumprimos nossa missão profética, denunciando as mazelas daqueles que exploram o pobre e espezinham o indefeso, então alçaremos a religião aos mais altos padrões, descartando qualquer parentesco mal-amado com corruptelas desta vida.

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Observação: Este texto foi publicado originalmente em O Jornal Batista, na coluna DIA A DIA, assinada pelo autor naquele hebdomadário. Publicada na edição de 03 de Abril de 1994.

sábado, 15 de setembro de 2007

FAMÍLIAS QUEBRADAS

A ênfase dos batistas para este ano (1994), em torno da família, privilegia as unidades familiares que estão estruturadas numa base padrão: pai, mãe, filhos. Ou seja, como já deu para perceber – inclusive nas diferentes abordagens do tema da Assembléia de Aracaju – a família que está em pauta é a família ideal, aquela que está constituída dentro das normas e princípios legais vigentes no país. Mais que isto: dentro dos padrões que consideramos bíblicos e cristãos.

A realidade, porém, não é tão epifânica assim. Conquanto não desprestigiemos o valor da família solidamente alicerçada, na qualidade de líderes de Deus que trabalham para o povo precisamos conhecer de perto suas minudências para que a nossa fala e a nossa ação aconteçam consoantes as realidades detectadas. E “é aí que mora o perigo”, diriam alguns. Um exame mais atencioso da membresia de nossas igrejas há de revelar – talvez surpreendentemente para alguns líderes – grande índice de famílias que fogem aos padrões ditos ideais. São: mães solteiras, mulheres descasadas com filhos, filhos que moram com avós, homens divorciados em novo consórcio etc.

Um colega de ministério no Rio de Janeiro se disse surpreso com a condução que estava dando ao Ano da Família em sua igreja. No meio do processo descobriu que estava dando acentuado destaque à família ideal, não encontrando, porém, eu seu projeto, nenhuma atividade que envolvesse ou estimulasse a participação das famílias que fogem ao modelo ideal. Para ele, esta descoberta soou como advertência. A verdade é que não podemos esquecer esta realidade eclesiástica contemporânea. Este colega já está tomando medidas para envolver esta gente. Precisamos estar atentos à roda-gigante do tempo. Os dias de hoje são outros, apesar de muitos de nós não querer admitir isto. Não podemos ignorar os dados que uma simples pesquisa sobre família, em cada igreja, pode revelar. Experimente isto! O que descobriremos não será, talvez, o que sonhamos, o que almejamos, e para isto estamos trabalhando, ou o que foi a intenção primeira de Deus para o casamento. Mas será a realidade!

Por falar nisto, tomei um susto com o filme Uma babá quase perfeita. Assisti com a minha esposa. Muito hilariante, vale a pena conferir. A trama se dá em torno do divórcio do casal, cujo pai não abre mão do convívio diário com os filhos. Mas à justiça dá ganho de causa à mãe o que garante ao pai apenas uma visita acompanhada aos sábados. Resta ao pai atender ao anúncio da esposa nos jornais e se tornar a babá dos próprios filhos. Ao final da película, a mensagem que me chocou, em princípio: “Não importa se você mora com seus pais, só o pai, só com a mãe, com os avós etc. Não importa! O que importa é que vocês se amem!”

Quando ouvi esta mensagem (ou coisa parecida), meu pensamento voou: será que este filme está fazendo a apologia das famílias quebradas? Partidas pela separação? Logo me consertei: este já é um fato consumado. E se é que existem milhares de lares nesta situação, que se trabalhe, então, para construir o amor.

Os que nossas igrejas podem fazer no Ano da Família para ajudar aqueles que, de alguma forma, sofreram revezes? Sem pretender esgotar o assunto, aí vão algumas dicas:

1º) Considere e respeito todos os que a igreja abriga. Se já fazem parte da família maior, a família de Deus; a igreja local, também como grande família, deve ampará-los e a apoiá-los.

2º) Encontre meios de envolver estas famílias em todas as atividades propostas para o Ano da Família. Considere-as, também, unidades familiares.

3º) Se a igreja estiver promovendo alguma gincana, concurso, ou qualquer outra atividade que demande uma participação por família, estude os meios possíveis para que todos participem. Quem sabe, unindo-os com os demais parentes ou mesmo juntando duas famílias pequenas.

4º) Em possíveis estudos e preleções que abordem o tema, fale sobre os ideais de Deus para a família cristã, mas não deixe de fazer as devidas ressalvas em relação àquelas que por qualquer motivo fogem desse padrão.

5º) Promova estudos e debates abordando os problemas da família moderna. Valorize a importância da atuação de Deus em cada vida, independentemente dos problemas que cada um enfrente.

6º) Por fim, duas sugestões: Livro: Problemas da Família Moderna, Merval Rosa, JUERP. Revista: A Família e os Desafios de um Novo Tempo, Josué Ebenézer, JUERP.

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Observação: Este texto foi publicado originalmente em O Jornal Batista, na coluna DIA A DIA, assinada pelo autor naquele hebdomadário. Publicada na edição de 27 de Fevereiro de 1994.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

SEQÜESTRO DE BATISTAS

O fato realmente me pegou de surpresa. Não esperava por esta onda de seqüestros de batistas brasileiros. Foi estarrecedor, algo grave. “Diz logo o que aconteceu!” – deve estar pensando você. Mas é isto mesmo: batistas seqüestrados! E olha que não estou me referindo ao seqüestro das irmãs Miriam e Margarida Horvath, missionárias em Angola, que em 1985 foram seqüestradas pela UNITA (União para Independência Total de Angola). No auge da guerrilha naquele país, Jonas Savimbi conseguiu atrair os olhares brasileiros para sua causa com este feito.

Também não estou fazendo referência ao seqüestro dos filhos do empresário Pedro Litwinczk, Sônia e Pedro Luiz, sócio da Golden Cross, por bandidos cariocas em 1991, conforme noticiou a imprensa secular e reportagem na revista Realização (1ºT93). Nestes casos, tudo correu bem. Os justos não foram desamparados... O seqüestro que me estarrece é de maiores proporções. Trata-se do maior seqüestro de batistas da história humana. Nunca se viu algo semelhante. Explico...

Fui à sede do Conselho de Coordenação e Planejamento da Convenção Batista Brasileira (Rua Senador Furtado, 12 – Praça da Bandeira, Rio de Janeiro) para uma reunião. Lá me deparei com um enorme mapa do Brasil decorando (?) o hall de entrada. Tratava-se de um instrumento para acompanhamento da evolução dos números batistas brasileiros. Ah! As estatísticas... Nós, batistas, nunca fomos bons nisto. O mapa pretende acompanhar, por Convenção Estadual, os seguintes números: de igrejas, pastores, membros e associações.

Pois bem. O que me assustou foi a seguinte constatação ali observada no dia 2/12/93: Convenções Estaduais = 29; Igrejas = 4.832; Pastores = 5.656; Membros = 595.122; Associações = 238. Saliento a membresia. Houve um desaparecimento de cerca de 260 mil batistas brasileiros. O que é feito deles?

De fato, isto é algo inusitado. O que é que, em tão pouco tempo, causou tamanho estrago entre os batistas? Bastou apenas um ano para que este número enorme de batistas desaparecesse. Confira estes dados com o que o Livro do Mensageiro da Assembléia de São Paulo, em janeiro de 1993, apresentou à página 136: 853.581 batistas. Não é algo inédito? Em apenas um ano (um pouco menos) os batistas brasileiros foram surrupiados em 1/3 de sua membresia e ninguém se deu conta disso, sequer esboçando alguma reação. Verdadeiramente nosso forte não são os números...

Veja o caso particular da Convenção Batista Fluminense. Em janeiro (Livro do Mensageiro), o número de membros era: 190.000 (estimativa para crescimento em relação aos 187.000 existentes em 31/12/91). Em dezembro (mapa do CCP da CBB) o número foi reduzido para 95.000. Veja, ainda, estes números da CBF: Nº de igrejas = 941; pastores = 1.200; associações = 28.

Os números sempre foram pedras no sapato batista brasileiro. Lembro-me, de tempos idos, quando se falava em 1 + 1 = 1 milhão. Ah, o tão famigerado milhão de batistas! Sonho de Rubens Lopes. Sonho que povoou os pensares e sonhares batistas de gerações passadas. Sonho presente na 1ª Campanha Nacional de Evangelização, que continuou na Campanha das Américas, chegou aos anos 80 com a Campanha SÓ CRISTO SALVA e agora se desintegra em um mapa do Brasil estampado em uma de nossas paredes a registrar o retrocesso dos números ao índice de três décadas atrás.

Não sou dos mais aficionados por números, embora saiba do seu valor. Mas os batistas brasileiros precisam aprender a lidar com eles. O que há de errado com nossas estatísticas? Carecem de seriedade? Participação? Atualização? O mapa do CCP-CBB está incompleto, ou os números de 1992 foram superestimados?

Números são bons quando bem analisados: eles nos ensinam! (Ah, se os secretários e diretores de EBD soubessem disto!). Vejamos alguns ensinos dos números batistas brasileiros analisados sob a ótica de diversas informações presentes em nosso meio:

- Os Batistas continuam sendo a denominação mais evangelizadora no país. Pena que nem sempre estes frutos permaneçam em nosso meio. Vá a algumas igrejas carismáticas e pergunte a procedência de seus membros: grande contingente de batistas. Este tema vale uma pesquisa séria, quem sabe, com este título: A Migração Protestante no Século XX.

- Os Batistas excluem com muita facilidade. Em algumas igrejas a incongruência é ainda mais forte: batiza-se para excluir. Precisamos rever os nossos códigos disciplinares. Podemos e devemos excluir menos. Os tempos mudaram e nem todos se aperceberam disto.

- Outro dado. Confira a diferença entre número de igrejas e de pastores existentes. O número de pastores é maior. Como se explica, então, a quantidade expressiva de igrejas sem pastor? Centenas delas? Não seria porque estamos formando pastores para nada? Gente que se faz bacharel e se faz pastor para apenas engrossar as fileiras de um “clero” não atuante?

- Outra questão a ser levantada é referente ao universo de batistas brasileiros. Que parâmetros devemos usar para medir isto? Penso que a família batista brasileira hoje é bem grande. Não devemos nos restringir aos arrolados em nossas igrejas. Temos os familiares; os que já não mais estão em nossas igrejas (e olha que há muita gente que mesmo não estando na igreja, numa pesquisa de IBGE, por exemplo, orgulha-se de se chamar batista); temos os que saíram de nós e formaram outras denominações e continuam usando a marca Batista etc, etc.

Bem. Números... Ah! Os números... Como eles podem dizer-nos coisas... Precisamos saber avaliá-los. Primeiro, precisamos saber coletá-los. Quando é que os batistas chegarão à maioridade em relação às estatísticas? Quando isto acontecer, não teremos mais seqüestros como este.
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Observação: Este texto foi publicado originalmente em O Jornal Batista, na coluna DIA A DIA, assinada pelo autor naquele hebdomadário. Publicada na edição de 30 de Janeiro de 1994.