quinta-feira, 16 de outubro de 2008

CONHECENDO A BÍBLIA


Será que ainda existe alguém em nosso mundo que não conheça a Bíblia? Ou, será que num tipo de sociedade como a em que vivemos, ainda há espaço para a busca do conhecimento da Bíblia? Ao que parece, estas dúvidas não existem nas cabeças dos promotores da exposição que acontece desde 29 de março na Biblioteca Celso Kelly, no centro do Rio de Janeiro.

A exposição, que recebe o título em epígrafe, é uma realização da Associação Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro, em parceria com a Biblioteca Pública do Estado, utilizando-se de acervo da Biblioteca Cardeal Câmara. Interessante esta promoção, tendo em vista o acentuado interesse que a figura de Jesus Cristo e dos Escritos Sagrados têm tido nos últimos meses. Basta visitar qualquer livraria e ter-se-á uma visão mais acurada disto: são dezenas de títulos sobre estes temas.

Toda a estrutura da exposição foi muito tem montada, incluindo textos elucidativos que apresentavam as peças expostas. A autoria dos textos é de Dom Estevão Bettencourt, que definiu o que é a Bíblia sem destoar do que a maioria dos evangélicos crê: “A Bíblia é um dos livros mais lidos sobre a face da terra e um dos que mais influência exerceram sobre a história do mundo ocidental.”

Valeu a pena rever alguns exemplares antigos da Bíblia e outros extremamente curiosos. A Bíblia mais antiga do acervo é uma versão alemã de 1618, com o título de Hest Heyligh Evangeliun. Além desta, o visitante pode deliciar-se com exemplares em árabe, grego, hebraico, norueguês, português, francês, sânscrito, russo, inglês, italiano, galês clássico, dentre outras línguas e dialetos.

Rica em ilustrações, fotos e gráficos, a exposição apresentou algumas curiosidades que despertam de imediato a atenção do visitante. Há, por exemplo, um belo exemplar da versão judaica, a Torah (Lei de Moisés), em formato de rolo. Outros dois belos exemplares são uma versão dos Salmos, musicado, em holandês, datado de 1773, e um exemplar da Bíblia em latim de 1795.

Dentre as curiosidades, destacam-se: a) Uma Bíblia em esperanto de 1978, traduzida pelo criador do esperanto, Lázaro Ludoviko Zamenhof; b) a Menor Bíblia do Mundo (em microficha), obtida pelo processo denominado de PCMI e desenvolvido no início da década de 60 pela NCR (EUA). Esta Bíblia minúscula está contida numa ficha de 4cm X 4cm, contendo o Antigo e Novo Testamentos, com 1.245 páginas, num total de 773.746 caracteres. Isso só é possível porque ela está num grau de redução de 250 vezes. c) Miniaturas de Bíblias, em inglês e alemão, que cabem na palma da mão. Verdadeiras jóias! D) Bíblia em Braille.

A exposição foi dividida em diversos setores, dando atenção especial ao que seus promotores entenderam ser mais importante. Num setor que explicava a formação do cânon, Dom Estevão Bettencourt salientou a diferença de cânon entre católicos e protestantes: “Entre os cristãos,os católicos adotam o catálogo (cânon) amplo dos judeus de Alexandria, catálogos utilizados pelos Apóstolos em seus escritos sagrados. Os protestantes adotam o catálogo restrito dos judeus de Jâmnia (Palestina) preferido pelos reformadores do século XVI”.

Na seção destinada aos apócrifos, havia exemplares de livros como: O Evangelho Segundo São Tomé, A Epístola de Barnabé,O Evangelho de Pedro. Para Dom Bettencourt, “apócrifo é o livro que não se lê em público ou na Liturgia, mas se pode ler em particular”. Outra seção interessante é a dedicada ao movimento ecumênico. Para o autor dos textos, “a Bíblia é o ponto de encontro de judeus e cristãos, (....) cristãos ocidentais e orientais”. Apresenta com destaque a Bíblia Ecumênica editada em francês, cujo Novo Testamento já está disponível em Português.
Interessante a presença de alguns exemplares da IBB e da SBB, bem como de concordâncias bíblicas evangélicas. A parte textual da exposição é fechada com a seguinte afirmação e citação bíblica: “Em suma, a Bíblia vem revelando seu imperecível valor; atravessa os tempos sempre nova e jovem, como é a palavra de Deus. Seca-se a erva, murcha-se a flor mas a palavra do nosso Deus subsiste para sempre” (Isaías 40.8).

Fiquei sabendo desta exposição através de uma nota publicada no caderno “Idéias-livros” do Jornal do Brasil de 2 de abril. Fui ver, porque o assunto me interessa, mas imaginei a carência de Bíblia da sociedade brasileira. Uma exposição como esta, é claro, enfatiza o lado cultural, intelectual e histórico do produto Bíblia enquanto livro que é o maior best seller de todos os tempos. Não se nega o valor de uma iniciativa como esta. O que, porém, deve ser ressaltado é que o brasileiro precisa conhecer a Bíblia, não como mais um produto desta nossa sociedade de consumo, mas como Palavra de Deus que liberta e transforma o homem.O brasileiro precisa conhecer e apropriar-se do conteúdo sagrado da Bíblia.

Neste sentido, cabe a nós, evangélicos, fazer o que está ao nosso alcance para difundir a Bíblia. este ano em que comemoramos o cinqüentenário da primeira Bíblia totalmente editada no Brasil – a versão de Almeida da IBB – temos o desafio de abraçar esta Causa.

Quem se interessar e não conseguir visitar a exposição na Biblioteca Celso Kelly, poderá conhecer este acervo bíblico e outros na Biblioteca Cardeal Câmara, no Palácio São Joaquim, rua da Glória, 446, Rio de Janeiro. A JUERP, em sua biblioteca e na IBB, também dispõe de interessantes exemplares da Bíblia – versões em português e outras línguas. Mas, o melhor acervo é o do Museu da Bíblia, em Barueri, que pode ser previamente conhecido pelo sítio: http://www.sbb.org.br/mubi/src/
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Observação: Este texto foi publicado originalmente em O Jornal Batista, na coluna DIA A DIA, assinada pelo autor naquele hebdomadário. Publicada na edição de 24 de Abril de 1994.