sábado, 15 de setembro de 2007

FAMÍLIAS QUEBRADAS

A ênfase dos batistas para este ano (1994), em torno da família, privilegia as unidades familiares que estão estruturadas numa base padrão: pai, mãe, filhos. Ou seja, como já deu para perceber – inclusive nas diferentes abordagens do tema da Assembléia de Aracaju – a família que está em pauta é a família ideal, aquela que está constituída dentro das normas e princípios legais vigentes no país. Mais que isto: dentro dos padrões que consideramos bíblicos e cristãos.

A realidade, porém, não é tão epifânica assim. Conquanto não desprestigiemos o valor da família solidamente alicerçada, na qualidade de líderes de Deus que trabalham para o povo precisamos conhecer de perto suas minudências para que a nossa fala e a nossa ação aconteçam consoantes as realidades detectadas. E “é aí que mora o perigo”, diriam alguns. Um exame mais atencioso da membresia de nossas igrejas há de revelar – talvez surpreendentemente para alguns líderes – grande índice de famílias que fogem aos padrões ditos ideais. São: mães solteiras, mulheres descasadas com filhos, filhos que moram com avós, homens divorciados em novo consórcio etc.

Um colega de ministério no Rio de Janeiro se disse surpreso com a condução que estava dando ao Ano da Família em sua igreja. No meio do processo descobriu que estava dando acentuado destaque à família ideal, não encontrando, porém, eu seu projeto, nenhuma atividade que envolvesse ou estimulasse a participação das famílias que fogem ao modelo ideal. Para ele, esta descoberta soou como advertência. A verdade é que não podemos esquecer esta realidade eclesiástica contemporânea. Este colega já está tomando medidas para envolver esta gente. Precisamos estar atentos à roda-gigante do tempo. Os dias de hoje são outros, apesar de muitos de nós não querer admitir isto. Não podemos ignorar os dados que uma simples pesquisa sobre família, em cada igreja, pode revelar. Experimente isto! O que descobriremos não será, talvez, o que sonhamos, o que almejamos, e para isto estamos trabalhando, ou o que foi a intenção primeira de Deus para o casamento. Mas será a realidade!

Por falar nisto, tomei um susto com o filme Uma babá quase perfeita. Assisti com a minha esposa. Muito hilariante, vale a pena conferir. A trama se dá em torno do divórcio do casal, cujo pai não abre mão do convívio diário com os filhos. Mas à justiça dá ganho de causa à mãe o que garante ao pai apenas uma visita acompanhada aos sábados. Resta ao pai atender ao anúncio da esposa nos jornais e se tornar a babá dos próprios filhos. Ao final da película, a mensagem que me chocou, em princípio: “Não importa se você mora com seus pais, só o pai, só com a mãe, com os avós etc. Não importa! O que importa é que vocês se amem!”

Quando ouvi esta mensagem (ou coisa parecida), meu pensamento voou: será que este filme está fazendo a apologia das famílias quebradas? Partidas pela separação? Logo me consertei: este já é um fato consumado. E se é que existem milhares de lares nesta situação, que se trabalhe, então, para construir o amor.

Os que nossas igrejas podem fazer no Ano da Família para ajudar aqueles que, de alguma forma, sofreram revezes? Sem pretender esgotar o assunto, aí vão algumas dicas:

1º) Considere e respeito todos os que a igreja abriga. Se já fazem parte da família maior, a família de Deus; a igreja local, também como grande família, deve ampará-los e a apoiá-los.

2º) Encontre meios de envolver estas famílias em todas as atividades propostas para o Ano da Família. Considere-as, também, unidades familiares.

3º) Se a igreja estiver promovendo alguma gincana, concurso, ou qualquer outra atividade que demande uma participação por família, estude os meios possíveis para que todos participem. Quem sabe, unindo-os com os demais parentes ou mesmo juntando duas famílias pequenas.

4º) Em possíveis estudos e preleções que abordem o tema, fale sobre os ideais de Deus para a família cristã, mas não deixe de fazer as devidas ressalvas em relação àquelas que por qualquer motivo fogem desse padrão.

5º) Promova estudos e debates abordando os problemas da família moderna. Valorize a importância da atuação de Deus em cada vida, independentemente dos problemas que cada um enfrente.

6º) Por fim, duas sugestões: Livro: Problemas da Família Moderna, Merval Rosa, JUERP. Revista: A Família e os Desafios de um Novo Tempo, Josué Ebenézer, JUERP.

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Observação: Este texto foi publicado originalmente em O Jornal Batista, na coluna DIA A DIA, assinada pelo autor naquele hebdomadário. Publicada na edição de 27 de Fevereiro de 1994.

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