quinta-feira, 13 de setembro de 2007

GUERRA SANTA

Começou mais uma Guerra Santa e não se sabe onde vai chegar. De um lado os católicos. De outro, um segmento dos evangélicos. No meio, uma torre alta que se alonga céu adentro e vai fazendo subir pela cabeça dos envolvidos a ira, a inveja, o orgulho, a presunção, a cobiça e tudo o mais que ambos os grupos condenam.

A torre é alta. De baixo quase não se vê seu cume. O que há naquela ponta? Os ferros se cruzam, se entrecruzam: a torre tem forma, tem densidade, tem dimensão. O que ela representa? A Igreja Católica agora possui um canal de televisão para fazer frente ao avanço dos protestantes. Tanto católicos quanto neo-pentecostais querem fazer subir a sua torre mais alto, para lá de cima despejar suas idéias...

E a gente cá embaixo; minúsculo, pequeno. E lá em cima as ondas hertezianas voando fortes; vôos seguros, espreitativos, preparando-se para o bote. Daqui a pouco um vôo rasante vai passar sobre nós querendo depositar sua mensagem. É o poder das comunicações. Vivemos a era da eletrônica. A fé veste-se de novas roupagens e o consumidor (heresia?), fiel (que seja!), precisa ser abordado com o concurso das novas tecnologias.

É claro que esta situação é uma resposta dos católicos às incursões bem-sucedidas dos engravatados gurus gospel de plantão nas rádios e tevês deste Brasil de Deus. "Mas como fica este povo, meu Deus?!" A torre está alta. Cá embaixo seus estúdios. Os padres já estão na ante-sala, prontos para entrar e dar o seu recado:

- "Alô, alô, fiéis! Surpresaaaaaaaaa! Sou eu, seu padre da paróquia..."

Os fiéis boquiabertos. "Será mesmo?!" "Onde o "padim" foi se meter?" Mas a programação de rádio não se sustenta só de missa. A tevê, então, nem se fala: não dá para esquecer de tirar a batina, nem mesmo no dia da "pressa mais apressada" em que se esqueceu de ler o roteiro. Televisão é show, isto se aprende, e no ramo da comunicação religiosa eletrônica os católicos estão freqüentando a escola dos crentes.

O show não pode parar. E agora ambos estão no mesmo barco. É preciso inventar, criar, elaborar: mentir se preciso for. Mas tem que ter cena: jogo, luz, ilusão... E aí, vale até misturar missa com galinha preta e fé com dinheiro.

Do alto da torre cai uma Bíblia que está prestes a espatifar-se...

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Observação: Este texto foi publicado originalmente em O Jornal Batista, na coluna DIA A DIA, assinada pelo autor naquele hebdomadário. Publicada na edição de 19 de Setembro de 1993.

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